Oposição assume CPI do INSS e impõe dura derrota ao governo Lula

Você acaba de testemunhar uma das derrotas mais significativas do governo Lula em meio à disputa política que tomou conta do

Por Notas & Informações

Você acaba de testemunhar uma das derrotas mais significativas do governo Lula em meio à disputa política que tomou conta do Congresso Nacional. A instalação da CPI do INSS, destinada a investigar fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas, virou palco de um embate direto entre o Palácio do Planalto e a oposição. E, para surpresa do governo, quem saiu vitoriosa foi justamente a ala contrária ao presidente, elegendo para a presidência da comissão o senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, e para a relatoria o deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil de Alagoas. A reportagem de Luísa Marzullo e Gabriel Sabóia, publicada em O Globo, deixou claro que esse movimento político representa mais do que uma simples derrota momentânea: é o sinal de que a base governista não é tão sólida quanto o Planalto gostaria de fazer crer.

Você talvez se pergunte como uma comissão que estava praticamente controlada pelo governo terminou entregue à oposição. A resposta está na articulação de última hora, que rendeu três votos a mais para o senador Viana. O placar final, de 17 votos contra 13, derrotou o favorito do governo, Omar Aziz, que contava com o apoio de Lula e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Esse episódio mostra que, por mais que o Planalto insista em criar uma imagem de unidade e poder de fogo, a realidade é bem diferente. Parlamentares que deveriam estar alinhados simplesmente não compareceram, como o deputado Rafael Britto, do MDB, ausente do Brasil no momento da votação. Você percebe como a falta de disciplina política custou caro.

A comissão que agora será comandada pela oposição investigará irregularidades em descontos sobre aposentadorias e pensões, esquema que, de acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União, pode ter causado prejuízos superiores a 6,4 bilhões de reais. Quando se trata de dinheiro público e de direitos de aposentados, você entende o tamanho da gravidade. E justamente por isso a derrota do governo é ainda mais simbólica. O Planalto pretendia ter o comando da CPI para travar investigações e evitar desgastes, mas agora a narrativa mudou de mãos. E você sabe bem que, no jogo político, quem detém a narrativa detém também o poder de moldar a opinião pública.

Para a oposição, a vitória foi fruto de uma estratégia calculada. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, revelou que a decisão de lançar uma candidatura avulsa surgiu em encontro com Carlos Viana e o líder oposicionista no Senado, Rogério Marinho. A articulação foi costurada praticamente durante a madrugada, provando que, quando há vontade política, a oposição é capaz de agir com rapidez e eficiência. Você, que acompanha de perto os bastidores, entende que isso é mais do que tática: é sinal de que existe fôlego real para enfrentar o governo no Parlamento.

Do lado governista, as explicações vieram em tom defensivo. Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, tentou minimizar o impacto dizendo que não se trata de uma tragédia e que a derrota decorreu de circunstâncias regimentais. Mas você sabe que esse discurso é apenas um recurso retórico. A ausência de votos aliados, somada ao erro de cálculo político, não é mero acaso, mas sim reflexo da fragilidade de uma base que parece cada vez menos confiável. O governo Lula, que se acostumou a costurar acordos de bastidor, desta vez foi surpreendido por um movimento ágil da oposição.

Você deve observar ainda que a CPI poderá convocar nomes sensíveis para o governo, como o ministro da Previdência, Carlos Lupi, seu sucessor Wolney Queiroz, além do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Até o ex-chefe do instituto, Alessandro Stefanutto, poderá ser chamado. Essa lista de possíveis convocados é motivo de preocupação para o Planalto, porque você sabe que uma CPI, ainda que não tenha poder de condenar, tem enorme capacidade de desgastar politicamente. Cada depoimento se transforma em manchete, cada contradição vira combustível para a narrativa da oposição.

Não se trata apenas de investigar fraudes. Trata-se de expor falhas administrativas em uma área que afeta milhões de brasileiros: a Previdência. E você compreende que esse é um terreno perigoso para o governo, que já lida com uma economia enfraquecida e uma popularidade instável. A CPI pode virar um palco para reforçar a ideia de que a atual gestão não consegue proteger sequer os aposentados, justamente aqueles que deveriam ter a maior segurança do Estado.

É evidente que o Planalto tentará reagir. A estratégia petista, como você viu na reportagem, será associar as fraudes a gestões anteriores, especialmente ao período do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas você também percebe a fragilidade desse argumento. O eleitor está cansado de acusações que olham para trás. O que importa agora é saber como o governo Lula vai lidar com as denúncias que surgirem. E a oposição não pretende dar trégua. Parlamentares bolsonaristas já pressionam pela convocação de Frei Chico, irmão do presidente, que tem ligação com o Sindicato Nacional dos Aposentados, entidade citada em relatório da CGU. O sindicato nega irregularidades, mas o simples fato de o nome da família presidencial aparecer nesse contexto já alimenta a curiosidade e fortalece a narrativa opositora.

Você, que acompanha a política brasileira, sabe que derrotas assim não ocorrem isoladamente. Elas sinalizam rachaduras, desorganização e, acima de tudo, a incapacidade do governo em manter a própria base unida. Ao perder o controle da CPI do INSS, Lula não perdeu apenas um espaço de comando. Ele perdeu a chance de blindar sua gestão contra denúncias que podem corroer ainda mais sua imagem. No tabuleiro político, esse movimento é o tipo de derrota que ecoa, que deixa marcas e que pode ser explorada até o fim. E você sabe: quando a oposição encontra uma brecha, ela não desperdiça.

Quem compõe o colegiado

Senadores titulares

  1. Eduardo Braga (MDB/AM)
  2. Renan Calheiros (MDB/AL)
  3. Professora Dorinha Seabra (UNIÃO/TO)
  4. Carlos Viana (PODEMOS/MG)
  5. Plínio Valério (PSDB/AM)
  6. Eliziane Gama (PSD/MA)
  7. Cid Gomes (PSB/CE)
  8. Jorge Seif (PL/SC)
  9. Izalci Lucas (PL/DF)
  10. Eduardo Girão (NOVO/CE)
  11. Rogério Carvalho (PT/SE)
  12. Fabiano Contarato (PT/ES)
  13. Leila Barros (PDT/DF)
  14. Tereza Cristina (PP/MS)
  15. Damares Alves (REPUBLICANOS/DF)

Deputados titulares

    1. Coronel Chrisóstomo (PL/RO)
    2. Coronel Fernanda (PL/MT)
    3. Adriana Ventura (NOVO/SP)
    4. Paulo Pimenta (PT/RS)
    5. Alencar Santana (PT/SP)
    6. Alfredo Gaspar (UNIÃO/AL)
    7. Duarte Jr. (PSB/MA)
    8. Julio Arcoverde (PP/PI)
    9. Rafael Brito (MDB/AL)
    10. Sidney Leite (PSD/AM)
    11. Romero Rodrigues (PODEMOS/PB)
    12. Beto Pereira (PSDB/MS)
    13. Mário Heringer (PDT/MG)
    14. Bruno Farias (AVANTE/MG)
    15. Marcel van Hattem (NOVO/RS)

    Com informações O Globo

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