Palestinas usam redes para difundir narrativas pró-Hamas com apoio da mídia estatal

O mundo está em chamas. E não se trata apenas de bombas lançadas sobre Gaza ou da retórica inflamada que ecoa

Por Notas & Informações

O mundo está em chamas. E não se trata apenas de bombas lançadas sobre Gaza ou da retórica inflamada que ecoa dos corredores da ONU. A verdadeira batalha, essa que não aparece nas manchetes com o mesmo estardalhaço, acontece nos bastidores da comunicação, nas trincheiras digitais, entre posts, vídeos e hashtags cuidadosamente calibradas para atingir a emoção do espectador desavisado. É nessa arena que a narrativa sobre o conflito israelo-palestino vem sendo moldada com esmero, não por grandes jornalistas investigativos ou veículos internacionais com tradição, mas por ativistas disfarçadas de donas de casa, dentistas e comerciantes que decidiram transformar a internet em arma ideológica.

Há algo profundamente perturbador no modo como esse novo jornalismo engajado, com forte viés militante, vai se infiltrando nas redes sociais sob o verniz da resistência feminina. O texto da jornalista Isabela Vieira, da Agência Brasil, é um exemplo cirúrgico desse movimento. Ao relatar o trabalho da doutora Simone Munir Dahleh, uma pesquisadora que venceu um prêmio acadêmico por seu estudo sobre a mobilização de mulheres palestinas nas redes, o que se lê é muito mais que uma tese premiada: trata-se da cristalização de uma engenharia de discurso cuja meta é moldar o imaginário coletivo brasileiro em torno de uma versão única e sentimentalizada de um dos conflitos mais complexos do século XXI.

Não se trata de negar a dor. Guerras causam sofrimento. Crianças morrem. Famílias se desfazem. Mas é intelectualmente desonesto — e politicamente perigoso — simplificar um conflito de décadas em um roteiro maniqueísta onde Israel, a única democracia funcional do Oriente Médio, torna-se o vilão genocida, enquanto grupos como o Hamas são tratados como “resistência”, quando, na verdade, promovem o terror até mesmo contra sua própria população.

A pesquisa de Simone, segundo o próprio relato jornalístico, não tem como prioridade a análise crítica dos fatos, mas a valorização do “relato biográfico” como forma de resistência simbólica. Trata-se de “ações táticas”, como ela mesma define, que utilizam o apelo emocional para driblar aquilo que chamam de censura nas redes — quando, na realidade, são os próprios algoritmos tentando mitigar conteúdos que beiram a propaganda ideológica ou até mesmo o discurso de ódio.

O que se percebe é um esforço deliberado de influenciar a opinião pública brasileira, manipulando a narrativa por meio de um conjunto de técnicas de storytelling digital que fogem à lógica da apuração jornalística clássica. As mulheres retratadas não apenas “colocam a cara a tapa”, mas também expõem seus seguidores a uma carga imagética cuidadosamente editada, muitas vezes descontextualizada, que busca construir uma visão unilateral do conflito.

O recurso constante ao vitimismo — com o qual qualquer tentativa de ponderação vira automaticamente “silenciamento” — é a moeda mais comum no mercado ideológico contemporâneo. Ao invés de promover o debate franco, baseado em dados concretos, o que se promove é a construção de um novo tipo de fé política: cega, devota, agressiva contra o contraditório.

Chama atenção o uso recorrente da palavra “genocídio” no texto, termo que, no Direito Internacional, tem um peso jurídico claro e específico. No entanto, seu uso como adjetivo ideológico virou um atalho retórico para deslegitimar o direito de autodefesa de Israel frente a ataques deliberados contra civis promovidos por uma organização terrorista. Não há qualquer menção à complexidade das operações militares, à tática do Hamas de se esconder entre civis, de usar hospitais e escolas como bases, ou ao terror diário que cidadãos israelenses enfrentam.

Mas o mais perigoso de tudo talvez seja o fato de que esse tipo de conteúdo não é produzido apenas por ativistas de longa data, mas por mulheres comuns, que se apropriam do cotidiano para construir uma ponte emocional com o público. É o vídeo da sobrinha cantando em árabe, é o prato de cuscuz palestino, são as fotos das casas antes dos bombardeios — tudo isso não como forma de registrar a cultura, mas como instrumento de guerra simbólica.

Ao fim, o texto de Isabela Vieira, que deveria cumprir a função de informar com equilíbrio, parece mais interessado em endossar a narrativa apresentada na tese premiada, sem qualquer contraponto ou análise crítica. E é aí que reside o verdadeiro problema. Quando o jornalismo abdica de sua função básica — investigar, questionar, confrontar versões — para se tornar um agente de reforço ideológico, ele se transforma em panfleto.

A conclusão é simples, ainda que amarga para os que insistem em ver a política internacional pelos olhos do sentimentalismo: a verdade factual cedeu lugar à verdade emocional. E isso é perigosamente eficaz. As redes sociais se tornaram terreno fértil para a construção de mitos contemporâneos, onde não importa mais o que aconteceu, mas como isso pode ser contado para comover.

O conservadorismo liberal, ao contrário disso, defende a liberdade de expressão sem concessões, mas exige responsabilidade com os fatos. A democracia só sobrevive quando o debate é feito com base na razão, não na manipulação dos afetos. A defesa da Palestina como povo não pode ser confundida com a defesa de seus algozes internos, e o repúdio à violência não pode ignorar sua origem.

Termino com uma reflexão que talvez incomode os entusiastas das narrativas únicas: a guerra simbólica que essas mulheres promovem nas redes, como mostra o texto de Isabela Vieira, não é menos belicosa que a guerra física. Apenas é mais silenciosa — e por isso mesmo, mais perigosa.

Com informações Agência Brasil

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