“PF teria investigado ministro do STF, André Mendonça” diz advogado Jeffrey Chiquini

A denúncia trazida pelo advogado Jeffrey Chiquini em um vídeo publicado no YouTube levanta uma das questões mais graves já apresentadas

Por Notas & Informações

A denúncia trazida pelo advogado Jeffrey Chiquini em um vídeo publicado no YouTube levanta uma das questões mais graves já apresentadas em meio às turbulências institucionais recentes no Brasil. Segundo o relato, a Polícia Federal teria investigado o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, levantando suspeitas de eventual participação em uma suposta trama para alterar o curso de processos em andamento. A acusação é de peso, porque não apenas coloca em dúvida a independência do Judiciário, mas também sugere que a atuação da Polícia Federal extrapolou limites legais ao investigar um ministro da Suprema Corte sem qualquer ordem formal do próprio tribunal.

No relato de Chiquini, tudo começou no contexto da defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, cuja audiência se aproximava. Ao constatar inúmeras nulidades e recursos não apreciados, a defesa decidiu ingressar com um mandado de segurança, um recurso previsto na Constituição para garantir direitos violados. O pedido acabou, por sorteio, sob a relatoria do ministro André Mendonça. Esse detalhe, aparentemente burocrático, tornou-se o centro de uma controvérsia que, de acordo com o advogado, desencadeou uma série de movimentações atípicas dentro do processo.

O ponto de inflexão ocorreu quando mensagens extraídas do celular do ex-presidente Bolsonaro, durante operação de busca e apreensão, foram anexadas ao inquérito da Polícia Federal. Nessas mensagens, Eduardo Bolsonaro teria informado ao pai que o mandado de segurança da defesa de Filipe Martins havia caído para o ministro Mendonça. O relatório da Polícia Federal descreveu esse episódio como indício de tentativa coordenada de tumultuar o processo e subverter a lógica do julgamento no STF. Para Chiquini, esse enquadramento não apenas distorce a prática legítima da advocacia, mas criminaliza o próprio exercício da defesa.

A narrativa exposta revela ainda mais elementos perturbadores. No relatório da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, o advogado foi citado diretamente, com menção a publicações de sua autoria nas redes sociais, vinculando sua atuação profissional a uma suposta trama golpista. Para ele, isso representa uma criminalização da advocacia, algo sem precedentes em um Estado que se diz democrático. “Estão dizendo que manejar um mandado de segurança é crime. Estão tratando como ato doloso o exercício de um direito constitucional de defesa”, declarou no vídeo.

Mais grave ainda, segundo Chiquini, é o fato de o relatório sugerir que Mendonça poderia ser alvo de coação velada, um recado explícito para que não julgasse o mandado de segurança. A denúncia, se confirmada, revelaria uma prática de intimidação direta contra um ministro do STF, algo que, em qualquer democracia madura, seria tratado como um ataque frontal à separação dos poderes. A Polícia Federal, que deveria atuar com neutralidade e dentro dos limites da lei, surge descrita como um ator político disposto a interpretar movimentos jurídicos regulares como parte de uma conspiração.

O caso levanta perguntas incômodas sobre seletividade e parcialidade. O advogado recorda, por exemplo, que quando o ministro Edson Fachin anulou condenações do ex-presidente Lula por meio de um habeas corpus — instrumento equiparado ao mandado de segurança — não houve acusações de tumulto processual ou tentativa de subversão da ordem. Para ele, a diferença de tratamento apenas comprova que o alvo atual é a direita política e qualquer defensor que ouse contrariar a narrativa dominante.

Outro ponto mencionado é o risco institucional de se considerar ilegal a prática da advocacia combativa. Segundo Chiquini, se prosperar a tese de que um advogado pode ser criminalizado por recorrer aos remédios constitucionais, toda a classe passa a atuar sob a sombra da perseguição. Isso comprometeria não apenas a defesa de investigados ligados à direita, mas a própria integridade do sistema jurídico brasileiro. Em suas palavras, “a advocacia não é para covardes” e, diante da pressão, recuar seria admitir que o processo já não segue mais os princípios de um Estado de Direito.

No vídeo, o advogado também interpreta a investigação como parte de um processo maior de deslegitimação da oposição política. Para ele, o relatório da Polícia Federal é apenas mais uma evidência de que as instituições estão ultrapassando limites legais para perseguir adversários ideológicos. Essa denúncia se soma a uma longa lista de críticas feitas por setores conservadores que enxergam nas recentes decisões judiciais e investigações uma escalada autoritária que mina garantias constitucionais básicas.

A suposta investigação contra Mendonça, portanto, não é apenas um episódio isolado, mas um reflexo de um ambiente de crescente instabilidade institucional. Ao colocar sob suspeita até mesmo um ministro indicado por Jair Bolsonaro, a Polícia Federal teria atravessado uma linha perigosa, segundo Chiquini, em que a independência do Judiciário e o direito à ampla defesa passam a ser tratados como obstáculos a um projeto de poder. O impacto desse cenário, caso as denúncias ganhem corpo, pode se estender por anos, corroendo ainda mais a confiança da população nas instituições.

O advogado conclui seu vídeo com um alerta: estamos diante de um processo que, sob a aparência de legalidade, estaria produzindo um efeito corrosivo contra o que resta de garantias democráticas no país. Ele reforça que não se intimidará, mas admite que a denúncia é também uma forma de pressionar o STF a reagir e trazer o tema ao plenário. Para ele, essa é a única forma de expor a gravidade da situação e evitar que a intimidação se torne prática recorrente. O vídeo de Jeffrey Chiquini, que já circula em diversas redes, acende um novo sinal de alerta sobre os rumos do Brasil e reforça a percepção de que, mais do que nunca, a política se tornou um campo em que o direito e a lei estão constantemente submetidos à prova.

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