Presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, pede demissão após afundar a estatal em um prejuízo bilionário

Há algo profundamente sintomático quando uma estatal como os Correios, símbolo do Brasil pré-reformista, entra em colapso. Mas não se trata

Por Notas & Informações

Há algo profundamente sintomático quando uma estatal como os Correios, símbolo do Brasil pré-reformista, entra em colapso. Mas não se trata de um colapso acidental. A implosão da empresa pública que outrora carregava a confiança de milhões de brasileiros é, na realidade, a consequência direta e previsível de uma cultura política que insiste em tratar o Estado como cabide de empregos, trincheira ideológica e plataforma de aparelhamento.

A notícia da demissão de Fabiano Silva dos Santos, presidente dos Correios, publicada pela jornalista Camila Abrão, da Gazeta do Povo, deveria provocar um escândalo nacional. Não pela saída em si – já tardia, diga-se –, mas pelos motivos que a provocaram: um prejuízo bilionário de R$ 2,6 bilhões em 2024, quatro vezes maior que o rombo de 2023. Isso, num país onde o povo paga caro, o serviço é precário e o sistema continua operando como se nada tivesse acontecido.

Enquanto a gestão afunda, o Estado inchado opera com uma eficiência notável… para proteger os seus. Em vez de exoneração sumária, o que se viu foi uma demissão “voluntária”, cheia de desculpas esfarrapadas e amparada por uma narrativa sanitizada de “motivos de saúde”. Saúde mesmo é o que falta à empresa pública, que há anos sofre de uma metástase chamada má gestão crônica.

Não é preciso ser especialista em logística para perceber que os Correios são hoje um pilar de ineficiência, escândalos e desperdício. O rombo bilionário de 2024 foi agravado pela tal “taxa das blusinhas”, usada como desculpa para justificar a queda no volume de remessas internacionais, especialmente da China. Ora, quem conhece o funcionamento da máquina pública sabe que isso não passa de cortina de fumaça: o buraco vai muito além das importações baratinhas.

No primeiro trimestre de 2025, o rombo já era de R$ 1,7 bilhão. A empresa, em desespero, anunciou um Programa de Desligamento Voluntário (PDV), suspensão de férias e cortes salariais – medidas que, na prática, punem o trabalhador da base enquanto a alta cúpula vive de benesses. Prova disso? Enquanto os funcionários se viram obrigados a aceitar redução de jornada e salário, o salário do presidente Fabiano Santos foi reajustado de R$ 46 mil para mais de R$ 53 mil mensais.

Quem vive mesmo na bolha da “justiça social” são os que discursam pela “função social do Estado” enquanto mantêm privilégios indecentes às custas do contribuinte. É a velha máxima socialista: o sacrifício é sempre dos outros.

E por que Lula, o grande patrono do Estado inchado, não tomou providências? Simples. Porque não se governa com eficiência, mas com alianças. Os Correios fazem parte do loteamento político comandado pelo Ministério das Comunicações, ocupado por indicação técnica do União Brasil, partido que há tempos cobiça a presidência da estatal. A permanência de Santos até aqui não se deu por mérito, mas por conveniência política.

A tragédia institucional ganha contornos ainda mais grotescos quando se observa que a Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) já alertava para o risco de pré-insolvência. O alerta foi ignorado. Agora, a bomba explode, e a resposta é a de sempre: demissões silenciosas, sem responsabilização, sem CPI, sem indignação generalizada da imprensa progressista. Silêncio.

Talvez seja porque o presidente que indicou Fabiano também é aquele mesmo que se solidarizou com o “churrasqueiro de estimação” enquanto o país afundava. A informalidade, a camaradagem palaciana, e o desprezo pela meritocracia continuam ditando o ritmo em Brasília. Enquanto isso, o brasileiro paga mais caro, recebe menos e continua sendo feito de palhaço em nome de um modelo estatal ultrapassado e ineficiente.

Os defensores do Estado forte dizem que as estatais garantem soberania e inclusão. Mas a realidade mostra que, sob gestão aparelhada, o que elas garantem mesmo é déficit, impunidade e cabide de empregos para militantes e amigos do rei. O povo, esse sim, continua na fila, esperando a encomenda que não chega – ou, se chega, vem com impostos altíssimos e atrasos grotescos.

Na carta de demissão, Fabiano tentou defender sua gestão. Mas como defender um mandato que levou a estatal à beira do colapso? Como justificar um rombo multibilionário em dois anos? Como fingir que os salários da alta cúpula são compatíveis com a miséria da estrutura?

O mais trágico não é o prejuízo, mas a normalização do fracasso. O brasileiro está anestesiado. Já nem se choca com bilhões evaporando em estatais dominadas por partidos que só pensam na próxima eleição. Já nem se surpreende com a defesa cega do Estado mastodôntico em detrimento da liberdade econômica, da privatização e da eficiência.

Num país verdadeiramente liberal-conservador, os Correios já teriam sido privatizados há décadas. A livre concorrência teria elevado a qualidade do serviço e reduzido custos. A meritocracia teria afastado os puxa-sacos e promovido os competentes. E os bilhões desperdiçados serviriam hoje para saúde, segurança e infraestrutura.

Mas não. Aqui, o modelo petista insiste em empurrar empresas moribundas com o dinheiro do pagador de impostos. E se você questiona, é acusado de “entregar o país ao capital estrangeiro”. Quando, na verdade, o que está sendo entregue – e com laço vermelho – é o seu futuro.

Na brilhante cobertura da jornalista Camila Abrão, da Gazeta do Povo, não há só informação, mas um chamado à reflexão: até quando vamos tolerar o uso ideológico do Estado como instrumento de poder? Até quando aceitaremos passivamente que o povo seja penalizado enquanto os caciques partidários se revezam nos espólios da máquina pública?

É hora de romper com esse ciclo vicioso. De exigir responsabilidade, eficiência e, sobretudo, liberdade. O Brasil precisa de um Estado que sirva ao povo – e não que se sirva dele.

Porque, no final, não é o carteiro que falha. É o sistema que insiste em continuar quebrado só para manter de pé os interesses daqueles que juram defendê-lo.

Com informações Gazeta do Povo

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