
Olha só, amigos do Conservadores Online, parece que o Primeiro-ministro chinês Li Qiang resolveu dar um show de diplomacia no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim. Em meio a um cenário global cada vez mais instável — quem diria, não é? — o premiê aproveitou a ocasião para soltar aquele discurso básico sobre como o mundo precisa se unir, abrir mercados e, claro, resistir aos “riscos e desafios”. É sempre curioso quando uma potência que vive erguendo barreiras resolve clamar por “abertura”. Mas, como dizem por aí, façam o que eu digo, não o que eu faço.
Em um evento estrelado, que contou com a presença de Steve Daines, senador republicano dos EUA, e uma lista de CEOs de empresas globais, incluindo nomes de peso como Tim Cook da Apple, Cristiano Amon da Qualcomm e Amin Nasser da Saudi Aramco, a China tenta desesperadamente atrair investimentos estrangeiros. E por quê? Simples: o dragão vermelho está sentindo na pele o aperto das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Parece que a política “America First” ainda ecoa pelos corredores de Pequim.
Enquanto Li Qiang fala em globalização e se posiciona contra o “unilateralismo e protecionismo”, a realidade dos fatos é um tanto mais… pragmática. Os números não mentem: o investimento estrangeiro direto na China caiu no ano passado no ritmo mais rápido desde a crise financeira de 2008. E o motivo? Aumenta a desconfiança global em relação às políticas chinesas, somada à política externa agressiva do Partido Comunista Chinês (PCC) e, claro, as respostas duras vindas de Washington.
Para tentar salvar o barco, Pequim está prometendo um “plano de ação” para atrair investidores, incluindo a facilitação das transferências de dados transfronteiriças. Mas cá entre nós, quem confia em abrir os dados em um país famoso por seu sistema de vigilância massiva e pelo controle absoluto da informação? Parece mais um movimento desesperado para manter a economia funcionando do que uma real intenção de flexibilizar as regras.
E tem mais: o premiê Li Qiang não perdeu a oportunidade de reforçar que o governo chinês implementará “políticas macroeconômicas mais ativas e promissoras” — traduzindo: intervenção estatal pesada. Porque, quando a coisa aperta, o comunismo sempre mostra suas garras. Aliás, alguém aí acredita que a China está genuinamente preocupada em promover uma economia de mercado livre? Eu também não.
Enquanto isso, Donald Trump segue pressionando com sua política comercial assertiva. Ele anunciou novas tarifas “recíprocas” a partir de 2 de abril, mirando países que impõem barreiras aos produtos americanos. E adivinhem? A China está na linha de frente para sentir o impacto dessas medidas. Em resposta, Pequim já retalhou com taxas adicionais sobre produtos agrícolas americanos. É o jogo duro do Tio Sam, e o Partido Comunista Chinês não parece estar gostando nada disso.
É interessante observar que, apesar de toda a pompa do Fórum, há menos CEOs americanos participando neste ano. Não é à toa. O ambiente de negócios na China está cada vez mais complicado. Grandes multinacionais, como a Vale, Airbus, PepsiCo e Procter & Gamble, têm se reunido com autoridades chinesas em busca de garantias. Mas, vamos combinar, confiança não se reconstrói com discurso vazio.
A China tenta manter as aparências, mas a crise imobiliária prolongada e a demanda interna em queda são realidades que nem mesmo os discursos bem ensaiados de Li Qiang conseguem encobrir. O governo chinês promete “impulsionar vigorosamente” o consumo, mas analistas de mercado já avisaram: será preciso muito mais do que palavras bonitas para tirar a economia do buraco. Especialmente se os ventos contrários vindos de Washington continuarem soprando forte.
E aqui cabe uma reflexão importante: quem realmente ganha com essa “globalização” defendida por Pequim? O trabalhador brasileiro, americano ou europeu que perde seu emprego para fábricas na China? Ou o Partido Comunista Chinês que acumula poder enquanto controla as cadeias de suprimento globais? Não é difícil responder, não é mesmo?
Enquanto Li Qiang clama por mais abertura, a China segue jogando o velho jogo do controle total. Controle sobre a economia, controle sobre a informação, controle sobre o povo. E, acredite, caro leitor, um país que vive de controlar dificilmente tem interesse genuíno em “abrir mercados”.
No fim do dia, o que vemos é um governo chinês acuado, tentando seduzir investidores estrangeiros enquanto encara uma economia fragilizada e uma guerra comercial em escalada. Enquanto isso, no Ocidente, líderes como Donald Trump seguem defendendo os interesses nacionais, protegendo suas economias e, acima de tudo, garantindo que o jogo do comércio internacional seja jogado em pé de igualdade.
Portanto, fiquemos atentos. Porque, em meio a discursos pomposos e promessas vazias, a única certeza que temos é que a China joga para ganhar — e o preço dessa vitória geralmente é pago pelos outros.
Com informações Reuters