
Você piscou — e a esquerda caiu na própria armadilha. Parece piada de salão, mas não é. Segundo o texto de Laísa Dall’Agnol, publicado na Veja, o PT — sim, aquele mesmo que idolatra as urnas eletrônicas como se fossem santas de altar bolivariano — agora decidiu usar papel e caneta nas suas eleições internas. Que beleza. O partido que acusa qualquer um que ouse duvidar da infalibilidade das maquininhas do TSE de ser um golpista, terraplanista e, claro, fascista, resolveu meter um “modo analógico” na própria eleição. E por quê? Porque a Justiça Eleitoral — aquela que eles mesmos transformaram em oráculo da democracia — não quis emprestar as benditas urnas.
Ah, PT, seu roteiro é tão previsível que já daria pra escrever novela das nove só com seus atos falhos.
A extrema-esquerda está em transe. Aqueles militantes de rede social, que vivem de lacrar com memes sobre “Bolsonaro tem medo da urna” ou “confie na Justiça Eleitoral”, agora vão precisar rebolar para explicar por que seus líderes estão votando igual em 1989, na base da caneta esferográfica e da urna de papelão. Quem diria, hein? No fim, o PT achou mais confiável um calhamaço de papel do que a sacrossanta urna eletrônica. Plot twist dos bons.
Claro, a narrativa é que não houve empréstimo dos equipamentos. A desculpa? Dificuldade logística e segurança. Ah, entendi. Então agora a segurança das urnas eletrônicas é um problema? Mas quando Jair Bolsonaro levantava essa bola, era ataque à democracia, era terrorismo institucional, era motivo até pra abrir investigação no Supremo. Agora que é o PT que acha mais seguro usar papel, todo mundo fica pianinho. Ninguém vai dizer que o partido está se rendendo à retórica bolsonarista? Ninguém vai convocar a ONU? A OEA? O sindicato dos capivara veganas da USP?
Aliás, vocês notaram a ironia? O partido que mais defendeu o discurso de “urna é segura sim!” agora diz: “Vamos de papel mesmo, que é mais garantido”. Se isso não é um tapa de luva (suada) no próprio discurso, não sei mais o que é.
E ainda tem a cereja do bolo: quem está organizando esse circo é a turma que quer decidir os rumos do partido para 2026. Ou seja, eles estão querendo redesenhar o futuro da esquerda nacional com o mesmo nível de sofisticação de uma eleição do grêmio estudantil de escola pública dos anos 90. Nada contra a simplicidade — aliás, ela é maravilhosa — mas é que a hipocrisia é tão escancarada que dá até vergonha alheia.
Você não precisa nem ser conservador para perceber o tamanho da contradição. Basta ter dois neurônios funcionando e um pouco de honestidade intelectual. O PT passou anos taxando qualquer crítica ao sistema eletrônico de “negacionismo eleitoral”. Agora, quando o sapato aperta e a logística falha, a opção é justamente aquilo que eles mais ridicularizaram: o papel.
É como se os irmãos Marx estivessem escrevendo o roteiro da política brasileira. Mas não os filósofos alemães. Os palhaços mesmo.
E como não rir (ou chorar) da notícia de que Gleisi Hoffmann, a musa da rigidez ideológica, abandonou o cargo de presidente da sigla para virar secretária de relações institucionais do governo? Ah, sim, claro. Nada como transformar um partido político em uma extensão do gabinete do Planalto. A sucessão agora vai cair no colo de Humberto Costa, aquele senador que já foi ministro da Saúde no governo Lula e que carrega nas costas a missão de renovar uma sigla que, sinceramente, cheira mais a mofo do que a revolução.
Spoiler: não vai renovar. Vai mais é repetir a mesma ladainha de sempre, com outro sotaque e as mesmas desculpas esfarrapadas.
Esse processo de eleição direta, o tal PED, é vendido como um avanço democrático. Mas na prática, é mais uma encenação teatral para manter os mesmos de sempre nos mesmos cargos de sempre, com a mesma retórica cansada de sempre. É tipo mudar a cortina do bordel achando que isso vai atrair cliente novo. Só engana quem já está disposto a ser enganado.
E é curioso observar o silêncio sepulcral da mídia “progressista” diante dessa contradição monumental. Onde estão os colunistas da indignação seletiva? Onde estão os especialistas de plantão? Onde estão os influenciadores do “não pode isso, Arnaldo”? Talvez estejam esperando um memorando do partido para saber como enquadrar o discurso. Afinal, ninguém quer correr o risco de contrariar a linha editorial da semana, né?
A verdade, meu caro leitor, é que o PT nunca acreditou de fato em transparência, democracia ou coerência. Acredita apenas em controle. Se for conveniente usar a urna eletrônica, eles usam. Se não for, jogam fora e dizem que sempre foram fãs de papel. Tudo depende da narrativa do dia, do script do momento, do cheiro do vento.
E enquanto isso, a extrema-esquerda continua desfilando sua arrogância como se fosse dona da moral e da lógica. Mal percebem que estão sendo tragados pela própria incoerência — e rindo disso como se fosse genial.
No fundo, o PT é um grande estelionato ideológico com sotaque revolucionário e práticas de sindicato. Eles defendem o Estado forte, mas só quando são eles que estão no comando. Pregam a democracia, desde que o povo vote certo. Exaltam a tecnologia, mas só até ela parar de servir aos seus interesses.
E quando tudo falha — como agora — apelam para o bom e velho voto de papel, sem um pingo de vergonha na cara.
Parabéns, PT. Você conseguiu transformar a sua própria eleição interna numa sátira perfeita de tudo o que você diz defender. E nós, do lado de cá, agradecemos a comédia involuntária.
Com informações Veja
















