
Enquanto o brasileiro médio conta moedas para pagar o arroz, o PT investe milhões em narrativas digitais produzidas com inteligência artificial. É isso mesmo: a mesma turma que vive gritando contra a “desumanização” do capitalismo agora usa avatares falsos para dar aula de moral tributária na internet. E o nome da nova mágica do picadeiro ideológico é “nós contra eles”. Um título criativo, originalíssimo… só que não. Trata-se da boa e velha retórica petista vestida com o figurino da moda — IA, vídeos simulados, personagens genéricos com expressões de sofrimento “autêntico” e falas cuidadosamente programadas para emocionar o pobre desavisado. Tudo isso com dinheiro público, claro.
Por trás da farsa digital está um sujeito apresentado como “jornalista de perfil discreto”. Discreto talvez porque prefere os bastidores onde os contratos pingam mais do que entrevista para imprensa. Com raízes “metalúrgicas” e formação ideológica nas trincheiras petistas do ABC paulista, ele agora se apresenta como um estrategista digital que “tirou o PT das cordas”. Convenhamos: o partido só saiu das cordas graças à bolha de proteção do STF, da imprensa amiga e de campanhas que substituem ideias por efeitos especiais. Se o PT estivesse realmente no chão, a inteligência artificial não salvaria ninguém. No máximo, faria vídeos de consolação.
Segundo o texto de Vinícius Valfré, essa inovação estratégica “politicamente exitosa” veio depois que os cortes dos discursos do ministro Haddad fracassaram. O motivo é óbvio: ninguém aguenta ouvir o Haddad falar. Nem os aliados. Como seus discursos não viralizavam, optaram por criar fantoches digitais que imitam indignação popular. É a revolução da empatia computacional — ou, em bom português, manipulação marqueteira turbinada com CGI. Mas claro, tudo com aquele toque “popular”, porque o brasileiro comum adora ser representado por um avatar com voz genérica, fundo cinza e trilha dramática.

E vejam que refinamento intelectual: o modelo dessa revolução narrativa não veio de Cuba ou da Venezuela. Veio do coração do império capitalista, os EUA. A inspiração é um tal de Zohran Mamdani, um deputado novaiorquino que quer congelar aluguel e distribuir transporte gratuito. Uau! Um plano brilhante de socialismo gourmet, embalado para presente com promessas impossíveis e a típica empolgação de quem nunca administrou nem condomínio. O PT, naturalmente, adorou a ideia. Afinal, tudo que vem com selo anti-Trump é imediatamente adotado como solução para o Brasil, mesmo que aqui o problema seja outro e os protagonistas tenham ficha corrida.
Aliás, falando em problema, o texto ainda trata da campanha petista para empurrar a tributação do IOF goela abaixo da população, vendendo isso como “justiça tributária”. O truque é clássico: cria-se um vilão invisível — o “1% mais rico” — e transforma-se o cidadão comum em massa de manobra. Esquecem de contar que o Congresso já rejeitou a proposta e o governo correu para o STF, onde espera que algum iluminado da toga decida por decreto o que o povo já negou pela via democrática. Um abraço para Alexandre de Moraes, que marcou audiência de conciliação. Porque quando o povo diz “não”, a esquerda corre para ouvir o “sim” da caneta mágica.
Mas o circo não para por aí. Segundo a jornalista Karolini Bandeira, o próprio Lula, sempre pronto para dar lição ao mundo, já declarou que “o povo brasileiro não precisa de inteligência artificial porque já é inteligente o suficiente”. Mas, veja só, vai apresentar um plano nacional sobre IA na Assembleia Geral da ONU. Entendeu? Nem nós. O Brasil, segundo o presidente, “não precisa da ajuda dos EUA, Japão ou Alemanha” em IA, mas vai mostrar ao mundo como regulamentar a tecnologia que, até ontem, ele dizia não precisar. É a retórica do orgulho tupiniquim servida com farofa ideológica e muita contradição, como de costume.
Então temos um governo que desdenha da IA em público, mas a usa em massa nos bastidores, com vídeos emocionais, campanhas contra adversários, distorção de falas e uma estrutura milionária de comunicação para vender mentira como verdade. Tudo isso sob o comando de quem não dá entrevista, não se expõe, mas fatura milhões com contratos internos e aliados históricos. E se o nome disso não for manipulação digital, não sei mais o que é.
Mas não se engane: o objetivo disso tudo não é informar, é doutrinar. É criar uma nova forma de militância digital onde a emoção programada substitui o debate, a imagem comovente vence a lógica e a narrativa artificial sufoca a realidade. É a velha estratégia de sempre, agora com filtro de TikTok e dublagem de Netflix.
E o mais trágico é que boa parte da mídia embarca nesse teatro com entusiasmo. Vinícius Valfré, por exemplo, escreve como se estivesse descrevendo o trabalho de um gênio da ciência política, quando na verdade está falando de um fabricante de ilusões que substitui o povo real por avatares de mentira. A jornalista Karolini, por sua vez, trata as falas de Lula como reflexões de um estadista, quando são apenas devaneios populistas com cheiro de retrocesso.
No fim, o brasileiro continua sobrevivendo com salário mínimo, tentando pagar impostos abusivos e lidando com uma máquina estatal que prefere investir em fantasia digital a resolver os problemas reais do país. A inteligência artificial, coitada, virou apenas mais uma ferramenta nas mãos de quem sempre desprezou a inteligência do povo — esse mesmo povo que, segundo eles, não precisa da IA, mas vive sendo manipulado por ela.
Com informações Estadão/OGlobo
















