
Nada é por acaso no submundo da política — principalmente quando se trata da velha guarda do poder que se recusa a largar o osso. Enquanto o brasileiro comum se ocupa de pagar boletos, enfrentar o trânsito e tentar sobreviver ao caos urbano, nos bastidores do Planalto e nas salas frias do Congresso, urde-se um teatro meticulosamente coreografado. Não para o bem público, claro, mas para garantir a sobrevivência de um projeto de poder que se alimenta da desinformação, da manipulação emocional e da destruição sistemática das instituições que sustentam a democracia.
O que temos testemunhado nos últimos meses é um avanço milimétrico, mas constante, de uma engenharia política cujo objetivo é sufocar qualquer resistência às pautas do progressismo autoritário. Chamam de democracia, mas agem como déspotas disfarçados de defensores da “justiça social”. O vocabulário é reciclado dos manuais gramscistas: combate às fake news, defesa da verdade, preservação das instituições. Mas a verdade é que o jogo está viciado. E, convenhamos, o carteado só favorece um lado.
Nas entranhas do sistema, já não há mais espaço para ingenuidade. Deputados conservadores, jornalistas independentes e perfis que ousam desafiar a hegemonia narrativa imposta pelos grandes conglomerados de mídia e pelo governo central são diariamente caçados, silenciados, rotulados como extremistas. Curioso notar que, enquanto isso, movimentos ligados à esquerda radical, com financiamento obscuro e logística profissional, operam livremente, incensados como “defensores da democracia”. A hipocrisia está institucionalizada.
O Congresso Nacional, por mais que ainda abrigue vozes lúcidas e combativas, tornou-se alvo direto de ataques coordenados que visam desgastar sua imagem diante da opinião pública. E não por acaso. O Legislativo é o único dos três poderes que ainda pode oferecer resistência real ao autoritarismo disfarçado de justiça social. Enquanto o Executivo flerta com o populismo e o Judiciário age como legislador informal, cabe ao Parlamento manter acesa a chama do Estado de Direito. E isso incomoda — e muito.
É nesse contexto que emerge o recente episódio envolvendo o uso massivo de robôs e perfis falsos nas redes sociais para atacar congressistas e distorcer o debate público. Desde a semana passada, como bem observou o jornalista Silvio Navarro, uma verdadeira milícia digital foi mobilizada para atacar o Congresso, disseminar calúnias e inundar as redes com comentários orquestrados. A pergunta que ecoa no silêncio constrangedor das instituições é: se fosse a direita fazendo isso, já não haveria uma devassa midiático-judicial em curso?
Desde a semana passada, o PT colocou milhares de robôs e centenas de pessoas (provavelmente pagas) para atacar o Congresso e inundar perfis com comentários injuriosos, fake news em massa. Isso seria antidemocrático e caberia num inquérito no STF?
— Silvio Navarro (@silvionavarro) July 5, 2025
Mas o silêncio é ensurdecedor. O Supremo Tribunal Federal, sempre tão ágil em abrir inquéritos quando se trata de perfis conservadores, agora assiste inerte à ofensiva digital petista. Será que o conceito de “atos antidemocráticos” é seletivo? Será que fake news só existem quando partem de adversários do governo? O que se vê é uma relativização da lei conforme a conveniência política do momento. O que ontem era crime, hoje é tática legítima de mobilização social. E amanhã, quem ousar questionar isso poderá ser preso — ou “desplataformado”.
No plano internacional, esse tipo de manipulação é ainda mais sofisticado. Os fóruns globais já compreenderam o poder das redes sociais como instrumento de guerra psicológica. China e Rússia são exemplos óbvios. Mas o Brasil, sob a batuta da esquerda profissionalizada, tem caminhado a passos largos nessa mesma direção. Importamos a retórica do progressismo europeu, mas aplicamos com o jeitinho do autoritarismo tropical. Por aqui, o algoritmo virou arma política. E os dados, munição.
Enquanto isso, a imprensa tradicional, em vez de cumprir seu papel fiscalizador, tornou-se cúmplice do sistema. Agem como assessores de comunicação de governo, travestidos de jornalistas. Ignoram os absurdos, relativizam as denúncias, e emolduram a narrativa com linguagem neutra e falsa imparcialidade. A máquina de desinformação institucionalizada conta com braços muito mais poderosos do que meia dúzia de influenciadores de direita. Mas quem ousa apontar isso vira alvo de censura — ou de processos.
Por trás das cortinas, assessores, estrategistas e “especialistas em redes” articulam diariamente o que vai virar pauta no noticiário da manhã seguinte. E o brasileiro, ingênuo, acredita que está bem informado. Estamos diante de um cenário em que a liberdade de expressão foi sequestrada por um grupo que se diz defensor dela. A ironia é dolorosa.
Se há algo que esse episódio recente expõe com clareza é o duplo padrão que impera no debate público nacional. Silvio Navarro não apenas registrou um fato gravíssimo — ele expôs, com coragem, o mecanismo subterrâneo que sustenta esse teatro farsesco da nova ordem política brasileira. O uso deliberado de robôs e perfis falsos para atacar o Congresso é mais do que uma tática suja. É uma afronta direta à soberania popular representada pelos parlamentares eleitos. E, pior, é um sintoma de que já não há pudor em usar métodos de guerra digital para fins políticos internos.
Na velha política, dizia-se que os fins justificavam os meios. Hoje, os meios são parte essencial do projeto de dominação. São os robôs, os algoritmos, os censores modernos, os juízes militantes e os influenciadores alinhados. Um ecossistema montado para manipular, silenciar e controlar. Mas o mais grave é que boa parte da população ainda não percebeu o que está acontecendo.
Concluo com uma provocação conservadora necessária: se o que Silvio Navarro denunciou fosse protagonizado por um grupo conservador, estaríamos assistindo a uma operação midiática, policial e judicial em cadeia nacional, com direito a manchetes inflamadas, prisões espetaculares e julgamentos televisivos. Mas como se trata do PT, tudo parece ser apenas mais uma “mobilização popular espontânea”.
Não se trata de paranoia. Trata-se de lucidez.
E talvez, mais do que nunca, o Brasil precise disso: de lucidez conservadora.
















