Randolfe consola Moraes: “Esquece a Disney, vai curtir um cacto no sertão!”

Se existe algo que o governo Lula sabe fazer com maestria, é transformar vergonha em espetáculo. Mas desta vez, a estrela

Por Notas & Informações

Se existe algo que o governo Lula sabe fazer com maestria, é transformar vergonha em espetáculo. Mas desta vez, a estrela do circo não foi o presidente, nem o ministro da Justiça, muito menos os consagrados integrantes do STF. O protagonista do dia foi o sempre teatral Randolfe Rodrigues, o líder do governo no Congresso, que decidiu brindar o Brasil com mais uma das suas pérolas de humor involuntário — ou será que foi intencional?

O cenário, claro, não poderia ser mais propício à comédia: os Estados Unidos cancelaram o visto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, uma medida que atingiu diretamente aquele que, até então, se achava acima de qualquer fronteira — inclusive da diplomacia internacional. Mas, em vez de uma nota séria, ponderada, ou mesmo um comunicado crítico à decisão americana, Randolfe preferiu inovar. Ele partiu para o que podemos chamar de “solidariedade estilo Zorra Total”.

Com um texto que parece mais uma crônica de férias do que uma manifestação oficial, o senador — comovido, é claro — exclamou: “Caríssimo ministro Alexandre de Moraes e demais ministros do STF…”. Ah, o tom afetuoso já deixa claro que vem coisa boa por aí. E veio. Randolfe começou a descrever com lirismo tropical as belezas do Brasil, como se dissesse: “Chorem não, ministros, temos o Nordeste! Quem precisa da Flórida quando se pode tomar banho em Maragogi?”

O deboche, claro, não parou aí. Comparou nossos pampas gaúchos com os Alpes Suíços. Sim, você leu certo. Segundo Randolfe, nossas serras paulistas e gaúchas “não ficam devendo aos Alpes”. É quase um convite para Toffoli trocar o chocolate quente de Genebra por um pingado em Campos do Jordão. E se o STF sentir falta de algo mais exótico, ele lembra que o sertão tem cactos — porque nada diz “justiça internacional” como um bom mandacaru.

Mas o ápice da palhaçada diplomática veio quando o líder governista solta:
“Tenho certeza que os senhores não ficarão preocupados por não poder ver o Mickey, o Pato Donald e o Pateta.”
Sim, ele escreveu isso. Sim, publicamente. Sim, se referindo aos ministros do STF. E não, você não está sonhando. Randolfe, com a sutileza de um cavalo em loja de cristais, praticamente os chama de crianças mimadas que sonham em brincar na Disney. Ou talvez ele tenha confundido os personagens. Afinal, entre Mickey, Donald e Pateta, faltou espaço para o Pluto — o fiel companheiro, talvez uma referência oculta a algum assessor do Moraes?

E se os senhores ministros estiverem inconsoláveis pela perda do paraíso americano, Randolfe consola: “Além do mais, têm outros 192 países do mundo inteiramente à vossa disposição.” Claro! Porque todo brasileiro, quando perde o visto dos EUA, imediatamente embarca para Butão ou Azerbaijão. Randolfe oferece o mundo como se estivesse apresentando o catálogo da CVC. A humilhação virou pacote turístico.

Mas não para por aí. O senador do Amapá termina com uma reverência digna de um mordomo de novela mexicana:
“Acreditem, não serão chantagens e ameaças que curvarão a coluna da soberania do Brasil. Contem conosco!”
Sim, porque quando um ministro do STF é barrado na imigração, o primeiro a erguer a bandeira da soberania nacional é Randolfe Rodrigues, o mesmo que assiste calado à destruição sistemática da independência entre os poderes dentro do país. A ironia grita tão alto que ecoa no Planalto inteiro.

O que talvez Randolfe não esperasse é que seu texto se tornasse a mais clara e escancarada zombaria pública aos ministros do STF, especialmente a Alexandre de Moraes, que saiu da condição de “xerife da democracia” para “persona non grata” em solo americano. E enquanto Moraes tenta entender se foi cancelado por engano ou por excesso de autoritarismo, Randolfe já está distribuindo panfletos turísticos para convencê-lo a passear no Jalapão.

O mais hilário — ou trágico — de tudo isso é que o deboche de Randolfe é recebido como solidariedade. Talvez porque dentro do STF não se distingue mais onde termina o cinismo e começa o narcisismo. Talvez porque, depois de tantos abusos de toga, um pouco de escárnio venha a calhar. O que importa mesmo é que a elite do Judiciário, aquela que vive numa bolha de privilégios e interpreta a Constituição como bem entende, foi publicamente ridicularizada por alguém do próprio time.

Se antes a crítica vinha da direita, dos conservadores, da sociedade civil, agora vem de dentro, entre parênteses, com emojis imaginários e tom de escárnio. A tão idolatrada imagem de Alexandre de Moraes foi tratada por Randolfe como um aluno que perdeu a viagem da excursão. E os demais ministros? Figurantes num roteiro que mais parece uma esquete do Casseta & Planeta.

O episódio nos ensina algo fundamental: nem os próprios aliados levam mais a sério o STF. Randolfe, ao debochar de forma poética e deslavada da situação de Alexandre de Moraes, expôs o que muitos já sentem, mas não têm coragem de dizer — que o Supremo virou uma caricatura de si mesmo, e seus ministros, personagens de um teatro grotesco, onde a toga pesa menos que a vaidade. Quando a “solidariedade” se transforma em sátira, é sinal de que o respeito acabou. E quando o respeito some até entre os pares, resta ao povo conservar o que resta da dignidade nacional: o bom senso e a memória. Porque, no final das contas, só nos resta rir… para não sermos os próximos a chorar.

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