
Na mais recente encenação transmitida em horário nobre pelo SBT News, Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao público uma performance que os críticos chamariam de tragicômica, mas que, para ele e sua base militante, soou como “estadista em ação”. O presidente aproveitou a entrevista para reafirmar seu desejo de regular as redes sociais, ou melhor, aplicar um verniz autoritário sob a desculpa de proteger a “verdade”. Doa a quem doer, disse ele, como se fosse um herói disposto a desafiar o mundo digital para salvar a humanidade de memes e vídeos mal editados.
Sim, caro leitor, Lula, em tom quase profético, disse que já é a “quinta versão” de si mesmo, como se fosse um personagem de videogame em constante atualização. Ora, se o próprio chefe de Estado admite ser múltiplas versões, como cobrar coerência de suas narrativas? Na prática, o que vimos foi um presidente usando a velha técnica de vitimização: transformar boatos de internet sobre sua suposta morte em justificativa para impor a censura — claro, tudo em nome da paz, da harmonia e da civilidade. O problema é que, quando um governante define o que é verdade ou mentira, a democracia rapidamente vira peça de museu.
Enquanto encenava preocupação com fake news, Lula resgatou o fantasma da “paz social” como argumento central. Estranho, não? Pois esse mesmo governo que prega a harmonia não economiza em fomentar divisões, rotulando opositores como extremistas, golpistas e inimigos do povo. A regulação que ele defende soa mais como um manual de controle de pensamento do que como proteção do cidadão. Afinal, quem define o que é “ódio”? Quem determina o que deve ser apagado? E, sobretudo, quem ganha com esse filtro ideológico?
A entrevista seguiu com Lula vendendo programas sociais como se fossem invenções revolucionárias. O “Gás do Povo”, por exemplo, virou manchete: 17 milhões de famílias beneficiadas, segundo ele. Um detalhe curioso é que o mesmo Estado que cobra impostos absurdos sobre combustíveis posa de salvador ao subsidiar o preço final. O governo primeiro cria o problema e, depois, aparece como redentor com dinheiro alheio. Que bela engenharia social!
Não satisfeito, o presidente exaltou a nova política de energia elétrica, onde pobres “não pagarão nada” até determinado consumo. O que Lula não disse é que, no Brasil, nada vem de graça: alguém paga a conta, e geralmente não são os amigos do poder. Para sustentar a retórica populista, basta transferir o custo para o contribuinte invisível, aquele que não aparece no palanque mas banca a festa. É o socialismo clássico, embrulhado em discurso paternalista e vendido como inclusão.
O espetáculo continuou com a exaltação ao “pé de meia” para jovens estudantes, uma poupança mágica que promete 9 mil reais ao final do ensino médio. Parece nobre, mas soa como uma compra disfarçada de permanência escolar. Afinal, em vez de investir na qualidade da educação e na valorização dos professores, o governo prefere bancar uma mesada. Mais uma vez, o imediatismo da esmola substitui a seriedade da reforma estrutural.
Lula, em tom messiânico, garantiu ainda que sua gestão está na “colheita” dos frutos plantados desde o início do mandato. Disse que o Brasil voltou a crescer acima de 3% porque ele retornou ao poder, como se fosse o próprio sol iluminando a lavoura. Aqui, a ironia é inevitável: depois de décadas de discursos sobre jabuticabas e semeaduras, a única coisa que realmente floresce é a propaganda governamental.
O ápice da entrevista veio quando Lula se comparou a Getúlio Vargas, alegando ser um dos dois únicos presidentes a promover inclusão social no Brasil. Nada mais conveniente do que se colocar no mesmo pedestal de um ditador para justificar políticas de controle e expansão estatal. Quando a comparação com Getúlio vira elogio, o recado é claro: liberdade individual nunca foi prioridade.
Não poderia faltar, claro, a cereja do bolo eleitoral. Perguntado sobre 2026, Lula deixou escapar que não tem dúvida de que será candidato, caso sua saúde permita. Uma confissão transparente: todos os programas sociais anunciados, todas as regulações propostas e todas as narrativas sobre colheitas abundantes são, em última análise, fertilizantes para a sua reeleição.
No fim, o que a entrevista mostrou não foi um presidente preocupado em governar, mas um político em campanha permanente. As promessas de mais casas, mais institutos federais e mais programas sociais soaram como a repetição do velho manual petista: multiplicar benesses estatais para colher votos. A retórica da inclusão social é apenas a embalagem de luxo para uma prática que mantém o cidadão dependente do Estado e o governante confortável no poder.
Assim, entre piadas de que já seria a “quinta versão de Lula” e declarações de que a censura digital é apenas “regulação democrática”, o presidente mostrou que a sua habilidade principal continua intacta: transformar contradições em espetáculo. E, para quem ainda acredita na promessa da “colheita”, resta lembrar que sementes ruins dificilmente produzem frutos bons.
A entrevista não foi uma prestação de contas, mas sim uma peça publicitária em cadeia nacional, onde o populismo se veste de modernidade e a censura se traveste de democracia. No fim das contas, o que Lula nos entregou foi menos uma conversa franca e mais um roteiro de campanha antecipada, recheado de ironias involuntárias e um sarcasmo que, sem perceber, escancarou o que realmente pretende: controlar o discurso público, dominar as narrativas e garantir, doa a quem doer, que o Brasil siga sob seu eterno ciclo de promessas recicladas.
Com informações SBT News
















