“Seu papel na história sempre será lembrado”, diz Cérmen Lúcia em defesa a Moraes

A cerimônia de reabertura dos trabalhos da Justiça Eleitoral, realizada em 1º de agosto, escancarou, mais uma vez, a profundidade da

Por Notas & Informações

A cerimônia de reabertura dos trabalhos da Justiça Eleitoral, realizada em 1º de agosto, escancarou, mais uma vez, a profundidade da simbiose entre os ministros do Judiciário e a elite ideológica que domina o poder no Brasil. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, aproveitou o microfone e os holofotes para exaltar o ministro Alexandre de Moraes, justamente no momento em que ele é colocado sob os refletores — não pelos feitos heroicos inventados por Brasília, mas pelas sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, reservada a violadores de direitos humanos. Mas, claro, nada disso parece importar para Cármen, que preferiu declamar um tributo digno de novela venezuelana: “Seu papel na história será sempre lembrado, especialmente pela firme atuação em um momento de extrema dificuldade.”

A frase é quase uma pérola cômica se não fosse trágica. Qual papel na história será lembrado? O da censura prévia? O das prisões arbitrárias? O da perseguição ideológica mascarada de combate à desinformação? Firme atuação, de fato — como um trator passando por cima da Constituição. Cármen Lúcia ainda completou, com a pompa de quem parece viver em um Brasil alternativo: “Atuou e continua atuando como ministro do Supremo Tribunal Federal, com os rigores da lei, em garantia dos direitos de todos os brasileiros.” Ah, sim. Todos os brasileiros. Inclusive os que têm contas suspensas, vozes caladas e vidas destruídas por ordens monocráticas sem defesa possível.

Não se trata aqui de mera crítica. Trata-se de confrontar a realidade com os fatos. E, como bem aponta o jornalista Luís Batistela, da Revista Oeste, em análise corajosa e baseada em documentos, o Brasil está diante de uma crise institucional profunda, agora reconhecida até por uma potência internacional. A inclusão de Moraes na lista da Lei Magnitsky é um ato jurídico e diplomático de proporções gigantescas. O governo dos EUA, mesmo sob administração democrata e com notórias inclinações à esquerda, não conseguiu mais fingir que nada acontece por aqui. Os atos do ministro Alexandre de Moraes ultrapassaram os limites do aceitável, a ponto de gerar sanções contra seus bens, negócios e relações com cidadãos norte-americanos.

Mas é claro que, em solo tupiniquim, o problema não é a violação dos direitos — é quem ousa apontá-la. Durante a mesma sessão, o próprio Moraes resolveu reagir. E o fez da única maneira que conhece: na base da agressão verbal e da superioridade moral. Chamou de “organização criminosa miliciana” os brasileiros que teriam influenciado Washington a sancioná-lo. Porque, veja bem, discordar de um ministro virou crime de lesa-pátria. Ele ainda completou: “Acham que estão lidando com pessoas da laia deles, acham que estão lidando também com milicianos, mas não estão. Estão lidando com ministros da Suprema Corte.”

O grau de soberba contido nessa declaração não é apenas preocupante — é revelador. Um ministro que já se colocou acima da Constituição agora se coloca acima da diplomacia internacional. Se os Estados Unidos decidiram aplicar sanções, o problema está nos americanos — não em seus próprios atos. A lógica é simples: se o mundo não concorda comigo, o mundo está errado.

Enquanto isso, os outros ministros do STF, em ato sincronizado, passaram a defender Moraes com o entusiasmo de quem tenta salvar o próprio castelo. A blindagem corporativista fala mais alto que a responsabilidade institucional. A mensagem é clara: entre proteger a democracia ou proteger a si mesmos, eles sempre escolherão a segunda opção. O Judiciário brasileiro, outrora guardião das liberdades, transformou-se em feudo de poder absoluto, onde juízes se tornam legisladores, censores e promotores — tudo ao mesmo tempo.

O silêncio da velha imprensa diante desse escândalo internacional é igualmente revelador. As redações que tanto se orgulham de defender direitos humanos, desta vez, resolveram engolir a notícia com um gole de hipocrisia. Afinal, para esse setor, abusos só existem quando são cometidos por seus adversários ideológicos. Moraes, por sua vez, continua sendo apresentado como uma espécie de salvador da República, mesmo com uma ficha internacional que agora o equipara a figuras como Nicolás Maduro, Daniel Ortega e outros expoentes do autoritarismo latino-americano.

É por isso que o artigo de Luís Batistela ganha ainda mais relevância. Ele ousa fazer o que boa parte da imprensa se recusa: informar com base em fatos e expor as entranhas do poder com responsabilidade jornalística. O que o jornalista da Revista Oeste mostra é que o Brasil está se isolando do mundo civilizado — não por causa do povo, mas por conta de seus supostos guardiões da lei. Quando um magistrado do Supremo é sancionado por uma potência global, isso deveria gerar uma reação imediata do Congresso, uma CPI, um debate nacional. Mas não. Aqui, a resposta é uma salva de palmas da ministra Cármen Lúcia e um coro de elogios de seus pares.

Estamos diante de um tribunal que age como se estivesse em guerra com a sociedade. A censura imposta a veículos de comunicação, a perseguição política a parlamentares da oposição e a criminalização de manifestações conservadoras são práticas recorrentes. Tudo justificado sob o manto da “defesa da democracia”, uma democracia que, ironicamente, já não tolera voto auditável, liberdade de expressão nem protestos.

O Brasil não pode aceitar calado esse novo paradigma. O Supremo não está acima da crítica, nem isento de responsabilidade. A retórica fantasiosa que exalta Moraes como herói é tão insustentável quanto o discurso de regimes autoritários que dizem reprimir para proteger.

Cabe à população romper com a lavagem narrativa da extrema-esquerda. O artigo da Revista Oeste é um exemplo de como a verdade, quando bem apurada, tem o poder de romper o cerco. As máscaras começam a cair. O mundo está assistindo. E a história, essa sim, lembrará de quem tentou calar o povo em nome de uma Constituição que eles mesmos distorceram.

Com informações Revista Oeste

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