Síria: massacre de minorias pode se repetir sob controle do ISIS e Al-Qaeda

A Síria, após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, mergulhou em uma nova era de terror

Por Notas & Informações

A Síria, após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, mergulhou em uma nova era de terror sectário, com minorias religiosas sendo sistematicamente perseguidas e assassinadas. O jornalista Antonio Graceffo, em seu artigo “Under ISIS- and al-Qaeda-Affiliated Rule: Syrian Massacre of Minorities Threatens to Reoccur”, publicado em 23 de agosto de 2025, denuncia a continuidade de massacres contra comunidades minoritárias, especialmente os drusos, sob o regime de Hayat Tahrir al-Sham (HTS), liderado por Ahmad al-Sharaa, anteriormente conhecido como Abu Mohammad al-Jolani.

Desde a ofensiva relâmpago que derrubou Assad, a Síria tornou-se um campo de batalha para facções jihadistas, com HTS emergindo como a principal força dominante. Apesar de alegar distanciamento de sua origem no al-Qaeda, o grupo continua a adotar práticas extremistas, incluindo massacres sectários, perseguição a cristãos e drusos, e destruição de locais religiosos. Em março de 2025, mais de 1.200 alauítas foram mortos em Latakia e Tartus, e em junho, uma igreja ortodoxa grega em Damasco foi alvo de um atentado suicida que matou pelo menos 30 fiéis.

A situação se agravou em julho de 2025, quando quase mil pessoas foram mortas na província de Suwayda, incluindo 588 drusos, muitos dos quais foram queimados e mutilados. O ataque foi realizado por uma patrulha militar do governo que invadiu a cidade, com relatos de que os agressores eram forças governamentais que apoiavam os beduínos sunitas contra as milícias drusas. A resposta internacional foi limitada, com Israel realizando ataques aéreos em defesa dos drusos, mas a violência persiste, e a comunidade internacional permanece em grande parte indiferente.

O enviado da ONU para a Síria, Geir Pedersen, alertou o Conselho de Segurança sobre a fragilidade da transição síria e o risco de violência renovada, apesar do cessar-fogo em Suwayda. Ele destacou que a falta de um novo contrato social, a ausência de um estado de direito e a desconfiança generalizada ameaçam o processo de reconstrução do país. Enquanto isso, a ajuda humanitária é escassa, com apenas 14% do apelo da ONU de US$ 3,19 bilhões para 2025 atendido até agora.

Graceffo enfatiza que a ascensão de al-Sharaa ao poder não representa uma mudança para um governo secular ou inclusivo, mas sim a substituição de um regime autoritário por outro, com uma ideologia jihadista ainda mais radical. Ele observa que al-Sharaa, que iniciou sua trajetória como combatente estrangeiro na guerra do Iraque, rapidamente ascendeu nas fileiras do al-Qaeda e do ISIS, tornando-se emir da região de Nínive no ISIS antes de fundar o al-Nusra Front na Síria. Sua liderança em HTS reflete a continuidade de uma agenda sectária e extremista, com pouca consideração pelos direitos das minorias.

A comunidade internacional, incluindo organizações de direitos humanos e governos estrangeiros, deve reconhecer a gravidade da situação e agir para proteger as comunidades ameaçadas. A resposta até agora tem sido insuficiente, e a indiferença diante dos massacres sectários em andamento é inaceitável. É imperativo que a ONU, países com influência na região e organizações humanitárias intensifiquem seus esforços para fornecer assistência às vítimas, pressionar por uma solução política inclusiva e responsabilizar os responsáveis pelos crimes contra a humanidade.

A Síria, uma nação historicamente rica em diversidade religiosa e cultural, está à beira de uma catástrofe humanitária de proporções épicas. Se não houver uma intervenção decisiva e coordenada pela comunidade internacional, o país poderá enfrentar uma nova era de escuridão, onde a convivência pacífica entre diferentes grupos será uma memória distante. Aqueles que ainda acreditam na possibilidade de uma Síria pluralista e tolerante devem se unir para exigir ação e solidariedade global.

Com informações The Gateway Pundit

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