The Economist – “O mundo está aprendendo a viver com o Talibã”

Ah, o artigo da The Economist. Mais uma daquelas análises “profundas” típicas da extrema-esquerda, onde a realidade é moldada à fantasia

Por Notas & Informações

Ah, o artigo da The Economist. Mais uma daquelas análises “profundas” típicas da extrema-esquerda, onde a realidade é moldada à fantasia de um mundo idealizado, e qualquer ação prática do Talibã é disfarçada de falha moral coletiva do Ocidente. A narrativa é clara: quatro anos após a queda de Cabul, os insurgentes são apresentados como vítimas diplomáticas, enquanto governos estrangeiros “cedem” discretamente a pressões quase imaginárias. E, claro, há aquela insistência melodramática de que meninas não podem ir à escola, mulheres não podem trabalhar e que a polícia patrulha a capital com zelo extremo — sem nunca admitir que, nesse ponto, o Talibã está, de fato, no controle, cumprindo regras que o Ocidente simplesmente não tem como impor.

A leitura do The Economist parece um roteiro de filme de ficção. Quatro anos para quebrar isolamento internacional? A verdade, encoberta pelos jargões diplomáticos do artigo, é que o Talibã apenas jogou o jogo do poder melhor do que qualquer nação ocidental poderia imaginar. Com paciência, força e um cálculo frio, o grupo aproveitou décadas de erros estratégicos americanos e europeus, consolidando autoridade de fato, enquanto o mundo fingia que podia ditar regras de moralidade à distância.

O artigo faz questão de enfatizar a “charada diplomática” ocidental, mas ignora o essencial: os países ocidentais estão exatamente onde merecem estar. A Rússia, a China e até os Emirados Árabes Unidos reconhecem o Talibã e buscam contratos, minerais e influência estratégica. Enquanto isso, a União Europeia e os Estados Unidos realizam acrobacias diplomáticas ridículas, tentando equilibrar discurso moral e necessidade prática, numa hipocrisia que só um jornal de viés esquerdista conseguiria romantizar como “engajamento construtivo”. Em resumo, o Ocidente está implorando para participar de uma mesa de negociação que sempre esteve fora de sua capacidade de controlar.

O The Economist também não consegue esconder seu desapontamento ao relatar que o Talibã, surpreendentemente, estabilizou o país. A corrupção caiu, a economia sobrevive, o cultivo de papoula foi contido e a violência islâmica interna diminuiu. Um regime que, segundo a narrativa liberal, deveria estar à beira do colapso, prova que eficiência e segurança têm mais peso do que conferências sobre direitos humanos e palestras ideológicas. Mas, para o jornal, é mais fácil pintar os diplomatas americanos como “pragmáticos” e o Talibã como “desafiador”, ignorando que o verdadeiro desafio é a própria ineficácia do Ocidente em manter padrões mínimos de autoridade e soberania.

E quanto à migração? Lá está o The Economist, enfatizando como refugiados afegãos “abusam” da generosidade ocidental. O artigo parece não perceber que, no centro disso, está uma realidade inescapável: governos democráticos cederam soberania em nome de ideais progressistas, negociando com um regime que não tem a menor obrigação de cooperar. Estados Unidos, Alemanha e outros países ocidentais foram literalmente até Cabul para coordenar deportações e negociações de prisioneiros, em um exercício de subserviência que a extrema-esquerda adora elogiar como diplomacia de “engajamento humanitário”.

O trunfo final do Talibã, que o The Economist tenta suavizar com um tom quase enigmático, é a força de seu regime. Enquanto a esquerda ocidental se perde em discursos sobre igualdade de gênero e direitos humanos, o Talibã atua com pragmatismo, consolidando território, minando o ISKP e mantendo o controle sem opositores credíveis. A consequência é direta: o tempo está do lado deles, e a paciência estratégica supera décadas de arrogância ocidental. Quando o artigo menciona que o grupo sente-se seguro o suficiente para reduzir seu aparato de segurança, na prática isso significa que o Talibã já entende o que muitos governos liberais não compreendem: estabilidade não se conquista com discursos, mas com controle efetivo e coerção calculada.

Há um detalhe que o The Economist não enfatiza — talvez por não se encaixar na narrativa de fragilidade moral do Talibã: enquanto ocidentais debatem ética e se envolvem em contorções diplomáticas, o grupo fecha contratos, estabiliza a economia e mantém ordem. É a velha lição que a extrema-esquerda insiste em ignorar: regimes que entendem poder, tempo e estratégia sobrevivem, mesmo que operem à margem de qualquer padrão de direitos humanos defendido por Occidente. O Talibã não só sobrevive, como prospera, e a ironia é que toda a “crítica humanitária” do artigo apenas destaca a ineficiência do Ocidente.

O Afeganistão, portanto, é o espelho do fracasso ocidental, e o The Economist apenas reforça isso com seu tom de lamento moralista. Enquanto se concentra em normas que não pode impor, ignora o fato crucial: o Talibã domina, o Ocidente implora e o mundo observa perplexo. Cada linha do artigo revela a contradição da esquerda liberal: condena a brutalidade do regime, mas aplaude a própria incapacidade de intervir, transformando fragilidade em virtude.

No final, fica evidente: o Talibã não precisou de longas negociações ocidentais para sobreviver. Precisou de tempo, estratégia e coerção — três ferramentas que os governos liberais nunca compreenderam totalmente. O Afeganistão é um lembrete cruel de que ideologia sem poder é apenas retórica, e que regimes firmes, mesmo moralmente questionáveis, permanecem relevantes e dominantes. O The Economist, com toda sua retórica liberal, só conseguiu documentar a realidade que o Ocidente recusa aceitar: enquanto prega valores universais, perdeu a capacidade de moldar o mundo à sua imagem.

Com informações The Economist

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