
Ah, Eliane Cantanhêde, sempre pronta para nos presentear com aquele olhar crítico que, curiosamente, parece mais um binóculo torto apontado para a direita do que para a realidade dos fatos. No mais recente artigo do Estadão, a senhora se empenha em nos mostrar que, segundo sua visão, Donald Trump estaria apenas manipulando peças em um tabuleiro imaginário da América Latina, e que Jair Bolsonaro, coitado, seria apenas um “pretexto” para a grande estratégia americana. Fascinante como a narrativa de alguns jornalistas consegue transformar o óbvio em complexidade indecifrável.
Vamos analisar, com um pouco de bom senso, essa construção: Bolsonaro, segundo Cantanhêde, está “inelegível, em prisão domiciliar, prestes a ser condenado pelo STF e isolando-se politicamente”. A repetição incessante desse mantra parece ter a intenção de entorpecer o leitor e pintar o ex-presidente como uma figura ridícula e desimportante, mas o que a colunista evita cuidadosamente é falar da enorme base de apoio que ele ainda mantém, de seu prestígio junto a milhões de brasileiros que não se curvam à narrativa midiática. E aí, segundo a senhora, Trump estaria mais interessado em Tarcísio do que em Bolsonaro. Ah, claro. Porque, afinal, todos sabemos que líderes mundiais só agem motivados por pura simpatia pessoal, não é mesmo?
É fascinante como Cantanhêde consegue transformar fatos em especulações e especulações em fatos. Ao apontar que Trump “ataca o governo Lula, o Supremo, as empresas e os empregos brasileiros para exigir o impraticável e fora de propósito fim do processo contra Bolsonaro”, ela nos faz crer que o ex-presidente americano estaria movido apenas por obsessão pessoal, ignorando completamente que o interesse de qualquer país na estabilidade econômica e política de outra nação é, na verdade, questão de estratégia e não de rancor afetivo. Mas para a colunista, é mais dramático pintar Trump como vilão de novela do que reconhecer que interesses geopolíticos e econômicos não têm partido, nem torcida.
O destaque dado ao “Cone Sul” e à suposta obsessão americana pelo Brasil serve apenas para reforçar a narrativa de que Bolsonaro é descartável e que a direita precisa de um novo protagonista, preferencialmente mais palatável para os olhos liberais do establishment internacional. Nada sobre competência administrativa, nada sobre liderança ou capacidade de mobilização popular – o foco é sempre o espetáculo de degradação moral do político conservador. E, veja só, Tarcísio é colocado como o herdeiro natural dessa narrativa midiática: elegante, articulado, moderno e, claro, sem qualquer risco de desafiar a hegemonia do pensamento progressista que domina a grande imprensa.
Cantanhêde ainda nos presenteia com a linha magistral de que Bolsonaro “perderá importância para Trump” assim que for efetivamente preso. Aqui está o ponto mais cômico de toda a construção: o leitor é levado a acreditar que a política global gira em torno do destino de um único indivíduo, e não da massa de eleitores que sustentam um movimento conservador vivo e ativo. É uma tentativa de reduzir a política brasileira a uma novela em que os personagens são descartáveis e substituíveis, enquanto a influência do eleitorado real, aquele que comparece às urnas, é convenientemente ignorada.
E que dizer da análise sobre o Centrão, sobre alianças estratégicas, sobre o agronegócio e os evangélicos? Cantanhêde, com toda a sua erudição aparente, prefere simplificar a complexidade da política brasileira em uma narrativa em que tudo gira em torno de ressentimentos pessoais, intrigas e trocas de interesses obscuros. É a velha técnica de transformar líderes conservadores em caricaturas, enquanto o governo Lula e sua base política são retratados com a suavidade de um conto de fadas democrático.
O que realmente chama atenção no artigo é o tom paternalista e quase condescendente com que a colunista trata o leitor. Aparentemente, somos todos incapazes de compreender que o eleitor bolsonarista não desaparece com prisões ou processos judiciais, e que o crescimento de Tarcísio não é um fenômeno automático, mas resultado de uma articulação política complexa que envolve aprovação popular, experiência administrativa e capacidade de diálogo com diversos setores da sociedade. Mas, para Cantanhêde, isso é detalhe irrelevante. O importante é manter a narrativa de que o “rei morreu, rei posto” de forma linear, como se política fosse história em quadrinhos.
No final das contas, o que Eliane Cantanhêde entrega ao leitor é um roteiro elegante de distorção midiática, recheado de suposições que servem a um único objetivo: minar a credibilidade do conservadorismo, reduzir a relevância de Bolsonaro e construir uma ascensão inevitável de Tarcísio como o candidato da direita aceitável aos olhos do mundo. É a velha técnica de engenharia narrativa: enfatizar falhas, exagerar detalhes negativos e omitir totalmente os elementos que mostram força, popularidade e resiliência política.
Portanto, caros leitores, o que temos aqui não é um olhar crítico, mas uma tentativa deliberada de moldar a percepção pública com lentes ideológicas distorcidas. O leitor que busca entender a política brasileira precisa mais de análise pragmática do que de entretenimento ideológico. A colunista nos lembra, sem querer, que a grande imprensa tem sua agenda, e que, muitas vezes, a verdade é sacrificada em prol da manutenção de um storytelling conveniente à visão de mundo progressista. Mas a política real, a que influencia vidas e votos, não é pautada por desejos de colunistas, e sim pela voz dos eleitores, que continuam atentos, mobilizados e capazes de enxergar além das narrativas ensaiadas do Estadão.
Em suma, o artigo de Eliane Cantanhêde mais parece um conto de suspense imaginativo do que uma análise séria. Ao tentar nos convencer de que Bolsonaro é apenas um peão descartável e que Tarcísio é a inevitabilidade da direita, ela entrega ao leitor uma peça de teatro ideológico que precisa ser desconstruída com cuidado, compreensão do cenário real e atenção àquilo que realmente importa: o eleitorado, a gestão e os princípios conservadores que continuam moldando a política brasileira, independentemente de narrativas midiáticas.
O que é irônico é que, ao tentar desacreditar Bolsonaro e exaltar Tarcísio, Cantanhêde acaba expondo sua própria fragilidade analítica, pois ignora que a política não se move apenas com presunções de jornalistas, mas com força popular, estratégia concreta e ideias que não se calam diante de opiniões superficiais. E é exatamente nesse contraste entre narrativa e realidade que reside a verdadeira história que o Estadão não quer contar.
Se você quiser, posso criar uma versão ainda mais sarcástica e cortante, que funcione quase como uma sátira destruidora, mantendo o tom conservador e persuasivo, para realmente “desmontar” Cantanhêde em cada linha. Quer que eu faça isso?
Com informações Estadão
















