Veja os influenciadores da extrema-esquerda que se reuniram com STF para divulgação da ação “Leis e Likes”

O recente episódio envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a convocação de influenciadores digitais para um encontro institucional em Brasília acendeu

Por Notas & Informações

O recente episódio envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a convocação de influenciadores digitais para um encontro institucional em Brasília acendeu mais do que simples discussões sobre marketing ou comunicação: revelou, de forma cristalina, a profunda intersecção entre poder judiciário, política e cultura digital no Brasil contemporâneo. A ação, intitulada “Leis e Likes: o papel do Judiciário e a influência digital”, buscava promover o diálogo com a sociedade e mostrar um STF próximo do cidadão. Mas, ao escolher 26 perfis majoritariamente alinhados à esquerda e ligados ao governo federal, o tribunal não apenas reforçou o seu viés político percebido, como expôs um paradoxo inquietante: magistrados que não são eleitos buscam moldar a opinião pública com estratégias típicas de campanhas políticas.

O que inicialmente poderia parecer uma tentativa legítima de aproximar o público das instituições democráticas rapidamente se transformou em espetáculo midiático. Influenciadores como Nath Finanças, Fred Nicácio, Anaterra Oliveira e Mizael Silva não se limitaram à presença protocolar; eles postaram selfies, elogiaram o STF e produziram textos inflamados exaltando ministros. A naturalidade com que celebraram figuras como Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Flávio Dino indica que, longe de ser uma ação neutra de comunicação, o evento serviu como vitrine para um alinhamento ideológico explícito. Quando o poder judiciário, que deveria ser imparcial e pautado pela lei, se envolve em relações públicas direcionadas, a linha tênue entre autoridade e propaganda torna-se perigosamente borrada.

Alguns argumentos surgem em defesa do STF, citando que não houve pagamento direto aos influenciadores e que o encontro teve caráter social. Entretanto, essas explicações não respondem à questão central: quem financiou as viagens, a estadia e a infraestrutura do evento? A presença do YouTube, da OAB Nacional, da Associação dos Magistrados Brasileiros e do Instituto Justiça e Cidadania certamente contribuiu para a organização, mas a responsabilidade final de selecionar e direcionar o conteúdo permanece com o Supremo. O gesto, por mais que seja apresentado como neutro, carrega consigo o peso simbólico de endossar publicamente certos perfis políticos, enquanto outros, mesmo críticos ou neutros, permanecem invisíveis à narrativa oficial.

Observando a composição dos convidados, nota-se que a maioria possui histórico de engajamento em causas alinhadas à esquerda, defendendo pautas de redistribuição de renda, diversidade e direitos de minorias. Influenciadores como Déia Freitas, Fred Nicácio e Luana Xavier consolidam-se como vozes ativas em defesa do governo federal e, por extensão, de ministros que frequentemente tomam decisões controversas. Essa seleção não é trivial: ao promover interações com figuras públicas que reverenciam o tribunal, o STF transforma a percepção pública em algo cuidadosamente mediado, filtrado por vozes que já possuem simpatia pelo Judiciário. Para uma instituição que atua acima do debate político, esse tipo de escolha mina a credibilidade de sua imparcialidade.

O fenômeno vai além do marketing institucional. Ele revela uma tentativa de adaptação do Judiciário à cultura digital, na qual influenciadores têm capacidade de moldar percepções, gerar engajamento e, indiretamente, legitimar decisões judiciais. Essa estratégia, embora moderna e sintonizada com os tempos de redes sociais, impõe um dilema ético: ministros que não são eleitos democraticamente passam a buscar aprovação social, utilizando intermediários digitais para criar uma narrativa favorável. A consequência é uma inversão sutil do princípio democrático, onde a legitimação popular se sobrepõe à neutralidade legal, e a opinião pública se transforma em instrumento de validação de autoridades que deveriam apenas aplicar a lei.

O evento também serve como alerta sobre os riscos de consumir informação exclusivamente por meio de influenciadores digitais. Muitos participantes assumem o papel de porta-vozes do STF, transformando opiniões pessoais em interpretações quase oficiais de decisões judiciais. Quando a comunicação institucional é mediada por indivíduos com agenda política clara, a linha entre informação e propaganda se torna difusa. O público, em especial aqueles que confiam cegamente nas redes sociais, corre o risco de receber uma versão parcial dos acontecimentos, sem acesso às discussões críticas e equilibradas que a democracia exige.

Além disso, a performance midiática evidencia um fenômeno preocupante: a espetacularização da autoridade. A presença de selfies, elogios públicos e declarações emocionadas cria um cenário no qual o poder judiciário é percebido não apenas como guardião da Constituição, mas como celebridade em uma vitrine digital. Esse tipo de exposição, ainda que sofisticada e bem organizada, gera uma percepção de proximidade que pode confundir a população sobre o verdadeiro papel do STF. O tribunal, que deveria ser interpretado como neutro, técnico e distante de inclinações partidárias, transforma-se em palco para encenação de aprovação ideológica, corroendo a percepção de imparcialidade que sustenta a confiança pública.

Em última análise, o encontro do STF com influenciadores digitais expõe fragilidades estruturais na relação entre poder judiciário e sociedade. Ao privilegiar vozes alinhadas à esquerda, ao enfatizar engajamento midiático em detrimento do debate sério, e ao transformar o evento em espetáculo, o tribunal demonstra que, mesmo sem intenção explícita, participa de uma narrativa política sutil. A sociedade brasileira deve estar atenta: o risco não é apenas de parcialidade, mas de naturalização do protagonismo midiático do Judiciário, onde a opinião pública se torna ferramenta de legitimação em vez de parâmetro crítico. Em tempos nos quais a independência das instituições é constantemente debatida, episódios como esse convidam à reflexão sobre limites, ética e o equilíbrio necessário entre comunicação e poder.

A percepção de que o STF precisa “ficar bem na fita” é, em si, sintomática de um problema maior: a busca por validação social em redes digitais. Esse movimento revela um Judiciário que, longe de se limitar à aplicação da lei, sente a necessidade de construir uma imagem positiva, escolhendo aliados midiáticos e gerando narrativas favoráveis. A consequência imediata é a erosão da confiança, não apenas em relação a decisões pontuais, mas em relação ao próprio papel da instituição dentro da democracia. E enquanto a sociedade continua a acompanhar, influenciadores se transformam em catalisadores involuntários de uma propaganda institucional sutil, transformando a informação em espetáculo e a imparcialidade em marketing cuidadosamente calibrado.

O evento serve, portanto, como alerta e convite à reflexão. Ele mostra que a comunicação estratégica do Judiciário, se não for cuidadosamente equilibrada, pode transformar instituições em protagonistas midiáticos, em detrimento da neutralidade e da autoridade técnica. Em um país onde as instituições já enfrentam desafios de confiança e legitimidade, a exposição pública seletiva e ideologicamente orientada de magistrados por meio de influenciadores digitais não é apenas uma questão de imagem: é um ponto de inflexão sobre como democracia, poder e informação interagem na era digital, e sobre como a sociedade deve se posicionar diante de escolhas que ultrapassam a simples cobertura jornalística e se inserem no âmago da formação da opinião pública.

Com informações Gazeta do Povo

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Conservadores Conectado

Comece o dia com as principais notícias, além de colunas e links selecionados, de segunda a sexta.

Mundo

Destaques