
O Brasil tem uma longa tradição de artistas que confundem o palco com um palanque e a música com um panfleto político. Mas, em tempos de crescente polarização, alguns parecem esquecer que o público não paga ingresso para ouvir discursos políticos, mas para apreciar a arte – ou o que sobrou dela em meio ao fanatismo ideológico. O caso mais recente é o de Marcos Valadão Ridolfi, conhecido como Nasi, vocalista da banda Ira!, que resolveu usar um show em Contagem (MG) como palanque improvisado para atacar apoiadores de Jair Bolsonaro. O resultado? Vaias e indignação de parte do público, que aparentemente ainda acredita que o Brasil deveria ser um país onde opiniões divergentes não fossem tratadas como motivo de exclusão.
O episódio escancara uma questão maior: a apropriação do espaço cultural pela esquerda radical. Nasi, um artista filiado ao PCdoB desde 2003, tem um histórico de ataques à direita e ao conservadorismo, mas o episódio recente atinge um novo nível de sectarismo. Ao mandar os apoiadores de Bolsonaro saírem do show, declarando que “não comprem nossos discos”, ele não só desrespeita uma parcela significativa dos seus próprios fãs, mas também reforça o modus operandi da esquerda: a exclusão daqueles que não se submetem à cartilha progressista.
O caso de Nasi é apenas um reflexo daquilo que tem sido promovido pela esquerda nos últimos anos: a criminalização e a censura de qualquer pensamento que fuja à narrativa oficial. Artistas, intelectuais e jornalistas que se recusam a se ajoelhar diante da agenda progressista são sistematicamente boicotados e marginalizados. Enquanto isso, figuras como Nasi se sentem à vontade para demonizar aqueles que discordam de suas opiniões, sem que haja qualquer tipo de consequência ou crítica por parte da grande mídia.
Nasi da banda Ira EXPULSA bolsonaristas de seu show: “Vão embora e não voltem mais aos nossos shows. Não comprem nossos discos. Não apareçam mais. É um pedido que faço a vocês." pic.twitter.com/vnlqOWuia0
— Seja Subversivo (@sejasubversivo) April 2, 2025
Vale lembrar que Nasi não é um novato na militância. Além de sua filiação ao PCdoB, o cantor sempre esteve alinhado com movimentos de extrema esquerda. Em 2023, por exemplo, ele foi um dos artistas que se apresentaram na comemoração dos 40 anos da CUT, um dos braços mais poderosos do petismo e da máquina sindical brasileira. A Central Única dos Trabalhadores, aliás, é uma organização que sobrevive basicamente de dinheiro público, impulsionada pelo imposto sindical que os governos de esquerda sempre fizeram questão de manter, à revelia da vontade do trabalhador. Ou seja, enquanto se posiciona como um artista “rebelde”, Nasi, na prática, está apenas servindo como um peão na grande engrenagem do petismo.
Outro ponto relevante é o motivo das vaias: a crítica de Nasi à anistia dos presos do 8 de janeiro. O cantor, assim como boa parte da esquerda, parece ignorar que há um enorme debate jurídico sobre o tratamento dado a essas pessoas. Muitos dos detidos são cidadãos comuns, que sequer participaram da depredação, mas foram presos de maneira arbitrária e mantidos sob condições que afrontam princípios básicos do direito penal. Ainda assim, figuras como Nasi insistem em perpetuar a ideia de que todos ali são “terroristas”, ignorando deliberadamente qualquer argumento em defesa dos direitos civis desses brasileiros.
Mas talvez o mais emblemático dessa história seja a postura do próprio artista diante da liberdade de expressão. Enquanto exige o direito de expressar suas opiniões políticas no palco – algo legítimo, ainda que inoportuno –, Nasi nega esse mesmo direito ao seu público. Ao dizer que bolsonaristas não deveriam estar em seus shows ou comprar seus discos, ele essencialmente defende uma segregação ideológica na música. Não basta a hegemonia cultural da esquerda em universidades, na mídia e na produção artística; agora, até mesmo no entretenimento, é necessário “purificar” o público para garantir que apenas os fiéis ao regime progressista sejam bem-vindos.
O caso de Nasi também escancara o duplo padrão da mídia e da classe artística no Brasil. Imaginem, por um segundo, se um cantor conservador fizesse um discurso contrário à legalização das drogas ou defendesse valores tradicionais no palco. Seria imediatamente tachado de fascista, homofóbico, retrógrado e um perigo à democracia. No entanto, quando alguém como Nasi usa seu show para espalhar seu viés ideológico e hostilizar parte do público, a mídia o trata como um “artista engajado”.
Esse tipo de comportamento levanta uma questão fundamental: até onde vai a tolerância da esquerda? O Brasil sempre foi um país plural, onde diferentes pensamentos conviviam, ainda que em conflito. No entanto, a militância progressista parece decidida a erradicar qualquer dissidência. Se você não pensa como eles, então não pode assistir seus shows, não pode comprar seus discos e, muito menos, pode discordar publicamente de suas ideias. O objetivo final é claro: silenciar qualquer voz que ouse se opor ao dogma da nova esquerda.
Mas há um detalhe que a militância cultural progressista parece não entender: o povo brasileiro não é bobo. E a reação das vaias em Contagem prova isso. O Brasil está cada vez mais atento a esse tipo de manipulação travestida de engajamento artístico. O público, ao contrário do que muitos artistas de esquerda pensam, não é um rebanho a ser conduzido cegamente. O povo tem memória e começa a questionar a hipocrisia daqueles que pregam liberdade de expressão apenas quando lhes convém.
Nasi pode até querer selecionar seu público e vender sua música apenas para os que compartilham de sua visão política, mas a verdade é que a arte não sobrevive de bolhas ideológicas. Em um mercado musical já saturado e com poucos espaços para bandas que não se reinventam, talvez seja mais interessante para ele pensar em novas maneiras de atrair público do que afastá-lo com discursos polarizantes. A história mostra que artistas que optam por fechar as portas para uma parte significativa do seu público acabam, no longo prazo, colhendo as consequências de sua intolerância.
O caso de Nasi é um alerta sobre o estado da cultura no Brasil. Quando a arte se torna um instrumento de militância, perde-se a beleza da diversidade de pensamentos e ideias. O público brasileiro, cada vez mais crítico, já não aceita passivamente a imposição de narrativas enviesadas. A política pode até ter lugar na música, mas quando se transforma em censura ideológica, o artista deixa de ser um ícone cultural e se torna apenas mais um soldado da máquina de propaganda. E isso, meus caros, é o oposto do que a verdadeira arte deveria ser.
Com informações Revista Oeste